
A Importância do Estudo das Oportunidades
(DOLABELA, 2003, p. 26-28)
Fonte: Pedagogia e Empreendedorismo - Pós Gestão Escolar.
A Pedagogia Empreendedora toma o empreendedor como alguém capaz de gerer novos conhecimentos a partir de uma dada plataforma, constituída por “saberes” acumulados na história de vida do indivíduo e que são os chamados “quatro pilares da educação” – aprender a saber, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser – constantes no Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI.
Tratam-se de conhecimentos que abrangem tanto os ambiente do sonho e o macroambiente quanto características do indivíduo, como criatividade e capacidade de aplica-la, buscando e controlando recursos para atingir seus fins; crença do indivíduo em que suas ações podem causar mudanças; confiança em sua habilidade, perseverança e paixão para fazer de forma melhor e mais rápida; ousadia para assumir riscos, quebrar regras, romper os limites do status quo; habilidade para estabelecer relações e cooperar; capacidade de identificar oportunidades. Antes de tudo, capacidade de se emocionar.
Esse composto resulta da capacidade de estabelecer novas relações entre saberes pré-existentes para gerar avanços e tem a peculiaridade de construir um conhecimento único, porque carrega os valores de quem o produziu, seja um indivíduo, seja um grupo.
O saber técnico tem sido historicamente utilizado para gerar e preservar posições sociais, conforme lembrou Raul david do Valle Júnior durante o Encontro Mineiro de Orientadores Profissionais, realizado pela PUC-MG, de Belo Horizonte, em 1999.
Em 1909, o presidente Nilo Peçanha criou por decreto o que hoje constitui a Rede Federal de Educação Tecnológica (atualmente com 137 unidades), por meio da instalação, em cada capital do país, de escolas para artífices e aprendizes, destinadas aos “órfãos e deserdados da fortuna”, o que, na linguagem do início do século, significava capacitação profissionalizante para pessoas de baixa renda.
Por várias razões, no Brasil, os ambientes de produção e da educação mantiveram uma relação marcada, de um lado, pela oferta de empregos que utilizavam tecnologia importada e, de outro, pela formação de técnicos para operar tal tecnologia, e não para gera-la. Mesmo assim, a educação formal não atndeu às necessidades da indústria, que teve de criar instrumentos próprios para formação de técnicos de nível médio – de que são exemplos o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (1858), saudado por Rui Barbosa como “a fórmula mais precisa da educação popular”, e as exigências do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), lançado em 1942.
Nesse contexto fortemente estruturado, o conhecimento não é necessariamente comprometido com a aplicação para gerar valor para a sociedade Segregados, colocados muitas vezes em campos opostos, conhecimento e prática social, são operados por atores, dificilmente dialogam, ficando isolados nos respectivos ambientes de atuação e hegemonia. Dada essa dinâmica, duas coisas não podiam ser misturadas: conhecimentos e mercado ou negócios; consequentemente, a identificação e oportunidades não precisavam ser tema da Educação Geral.
Seu estudo das oportunidades ainda não faz parte do currículo ou das prioridades da educação formal, da pré-escola à universidade, isso terá que mudar. Ele é hoje essencial, porque é o principal conhecimento do empreendedor.