
País perderá R$ 115 bilhões por falta de profissionais
Levantamento da Softex demonstra que gargalo no setor de TI está tanto na quantidade quanto na qualidade dos recursos humanos.
Se a escassez de mão de obra no setor de Tecnologia da Informação (TI) persistir, o Brasil pode deixar de arrecadar R$ 115 bilhões em receitas, em 2020, por causa da falta de profissionais. O alerta é da gerente do Observatório Softex, Virginia Duarte. A estimativa se baseia na publicação Software e Serviços de TI – A indústria brasileira em perspectiva, em que o observatório faz uma análise do mercado de trabalho do setor considerando faixa etária, o perfil do profissional, carreira, condições de contratação, modelo de negócio, nível de escolaridade e remuneração. “O quadro mostra que vai existir uma escassez tanto quantitativa como qualitativa”, explica. Segundo ela, já existe uma distância entre os recursos humanos esperados pelas empresas e o contingente formado nas instituições de ensino.
Para evitar o colapso, é necessário dobrar a quantidade atual de profissionais na área até 2020, tanto de nível superior como de técnicos. Atualmente, existem um milhão de profissionais contratados formalmente (incluindo assalariados, sócios e cooperados), desconsiderando o mercado informal.
A receita média do setor tende a crescer 8,5% ao ano, excluindo uma possível falta de mão de obra. Para acompanhar esse ritmo, estima-se ser necessário crescimento anual de 13% na quantidade de profissionais dedicados ao desenvolvimento de software e TI. Em bancos, no comércio e nas telecomunicações, segmentos que usam programas de computador e TI, a demanda por novos profissionais é da ordem de 5% ao ano.
Diante da dificuldade de captar alunos e interessados nos cursos profissionalizantes e d e nível superior, uma alternativa para evitar a escassez de mão de obra é a qualificação, aprimorando as competências do funcionário e os processos internos. “O foco tem sido muito na tecla de formar gente, no sentido quantitativo. Essa é uma vertente importante, mas existe outra, que é a discussão de produtividade e qualidade”, disse.